quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
RECOMEÇANDO A LUTA - NOVO BLOG
Mas não deixo a luta, apenas retomo a idéia original, que era de criar um blog focado na produção teórica em diversas áreas científicas (física, biologia, história, economia, psicologia...), tendo como base o materialismo dialético.
As principais postagens do VOZ VERMELHA já foram transmitidas para o CIÊNCIA VERMELHA (www.cienciavermelha.blogspot.com), que será onde postarei meus próximos artigos.
Como temos um bom acesso diário e um público fiel, este blog ficará no ár por algum tempinho até que todos conheçam o novo endereço.
Saudações revolucionárias!!!
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
RENATO RABELO PROPÕE NOVO PROGRAMA SOCIALISTA NO FSM

''Boa tarde a todos e a todas! Agradeço o convite das entidades promotoras deste seminário A crise do capitalismo e a nova luta pelo socialismo, importante questão em pauta aqui neste Fórum Social Mundial.
A crise das experiências socialistas mais importantes do século 20 -- que levou ao fim da União Soviética e dos países socialistas do Leste europeu e à sobrevida do capitalismo -- impuseram aos comunistas e às forças revolucionárias um imenso desafio histórico de resistência, análise critica autocrítica e de renovação, na busca de nova alternativa civilizacional contemporânea.
A grande crise capitalista atual
A euforia do liberalismo, então vitorioso nos anos da década de 90 e que proclamava sua vida eterna, com paradigmas tão absolutos nesse período, se estilhaçou confrontado com o curso da vida.
O capitalismo atravessa uma das mais graves crises de sua prolongada história, sacudindo o mundo. Esta crise atinge a estrutura básica do edifício da sociedade capitalista. Tem na potência imperialista hegemônica seu epicentro e compreende todo sistema em escala planetária, envolvendo os planos financeiro e produtivo. Pela sua dimensão, poderá sacudir ainda mais a atual ordem mundial hegemonizada pelos Estados Unidos.
O Estado liberal do inicio do século 20, o Estado de Bem-Estar Social do segundo pós-guerra, substituído pelo Estado neoliberal a e globalização financeira do final de 1970, só conseguiram ''incluir'' cerca de 1/3 da humanidade, aprofundando as desigualdades, a dependência econômica e tecnológica, agravando enormemente a crise ambiental, e aumentando as ameaças de guerra. Esses projetos de sociedade capitalista se esgotaram.
Esta última fase, do desenvolvimento neoliberal capitalista, de desregulamentação financeira e auto-regulação do mercado, levou à ampliação da hegemonia do capital globalizado. Uma nova casta política e econômica mundial, fortemente privilegiada, se beneficiou dos enormes ganhos da financeirização mundial, em contraposição à redução acentuada da renda do trabalho e o surgimento de camadas crescentes, com empregos precários e de desempregados e marginalizados.
Fracasso categórico do modelo neoliberal
É insofismável o fracasso categórico do então reinante modelo neoliberal. A globalização financeira ruiu. Mas a casta dominante, beneficiária da exacerbada financeirização, tem a seu serviço o Estado capitalista monopolista. Este Estado tem papel decisivo agora, ao contrário do que se propalava, como ''emprestador de última instância'' (envolvendo até agora trilhões de dólares). Na verdade, esse Estado é exatamente o salvador de última instância dos grandes capitalistas.
Na lógica da ideologia capitalista dominante, que prega permanentemente a austeridade do gasto público, que impõe o arrocho salarial e a contenção do trabalho vivo, o Estado capitalista tem, em contraste, todo direito de realizar escandalosa gastança, nunca vista, para livrar do abismo os grandes capitalistas. Tais procedimentos não resolverão os graves problemas sociais criados pela crise, mas, ao contrário, poderão provocar pesado retrocesso.
Impacto da crise no mundo em transição
O impacto desta crise de grandes proporções também reforça o rumo das mudanças de fundo, de uma nova alternativa, na transição em curso nas relações de poder do sistema internacional. A crise atinge mecanismos que sustentam a hegemonia norte-americana, principalmente os relativos à liberalização dos mercados monetários e financeiros mundiais dominados pelo dólar. Em contrapartida, a resistência antiimperialista se expandiu diante da ofensiva bélica e intervencionista dos Estados Unidos.
Enquanto isso, na chamada periferia do sistema, surgem novos atores que vão ocupando o papel de potências de influência regional ou mundial, como é o caso da República Popular da China, que podem atuar, conforme a posição soberana do governo nacional e dos interesses do seu povo, como contratendência à devastação oriunda dos países capitalistas centrais.
O fortalecimento da soberania e a preservação da economia nacional dos países ditos periféricos, na atual contenda global, podem se tornar possível através da construção de parcerias estratégicas. Entre elas o G-20 na OMC, G-5, Brics, Ibas, cúpulas intercontinentais, ampliando seus mercados internos e intensificando o intercambio comercial, na busca de uma alternativa própria.
Por outro lado, no cenário atual, as potências capitalistas buscarão formular uma solução favorável a elas. Porém, o imperialismo norte-americano não está desta vez em condições de impor uma solução unilateral para a crise. De todo modo a crise pode acirrar as contradições que levam ao declínio e à decadência da hegemonia unipolar dos EUA, podendo abrir passagem para uma nova ordem, uma nova época.
Como se expressou o artigo publicado na revista oficiosa da política externa americana, Foreign Affairs, ''Os Estados Unidos continuarão sendo a maior potência mundial por algum tempo ainda. A sua força militar sozinha garante essa posição. Mas a crise de 2008 causou prejuízos profundos no seu sistema financeiro, sua economia e sua posição no mundo; a crise para eles é um grande retrocesso geopolítico. Em médio prazo, os Estados Unidos vão operar de uma plataforma global menor - enquanto outros países, especialmente a China, vão ter uma chance de ascender mais rapidamente''. Portanto, a sua influência global irá crescer.
A saída de fundo é o socialismo!
O capitalismo ''moderno'' é assentado no padrão de acumulação liberal e num raio de ação cada vez mais internacional. Para o capital não deve haver fronteiras, regulamentação ou planos predefinidos. Porque na sua lógica intrínseca, objetiva, vence o competidor que soma maior lucro em maior escala, alcançando o lucro máximo. Por isso, não interessa que se obtenha lucro maior fora do plano da produção, aliás, isto é o ideal.
Pelos séculos de existência do capitalismo ele não pode retroceder da sua fase plena, que é cada vez mais liberal e monopolista. Querer domar o capitalismo com sistemas de regulamentos e normas, em âmbito mundial e nacional, encontra guarida convicta entre os denominados keynesianos e neo-keynesianos que pensam repetir nas condições atuais o sucedido no pós-Segunda Guerra. Mas criar uma nova ordem financeira global totalmente diferente seria impossível nos marcos do capitalismo.
Tanto a tentativa salvacionista conservadora de reformas do neoliberalismo, como as reformas ou a ''refundação'', que pregam a volta ao Estado de Bem-Estar Social nas condições históricas atuais do capitalismo, estão fadadas a repetir o ciclo vicioso do capitalismo de destruição e reconstrução econômica, sempre mais onerosa para a maioria dos povos e países.
A resultante de toda crise capitalista é mais concentração e centralização do capital e da riqueza e o aprofundamento das desigualdades e da exclusão social. A verdade se impõe, o tempo vai confirmando, a crise não pode ser resolvida de forma efetiva nos marcos do sistema capitalista - a saída de fundo é o socialismo.
Contexto da nova luta pelo socialismo
Os eventos deflagrados pela crise atual abrem uma fase nova na luta ideológica e política entre o capitalismo e o socialismo. Passamos da fase vivida no início da década de 90, da afirmação corajosa da identidade comunista e da defesa dos princípios revolucionários, para a fase atual de afirmação renovada e crescente da opção pela alternativa socialista. A orfandade ideológica do capitalismo torna-se mais evidente no processo da agudização da luta de classes no mundo, como revela o curso da crise capitalista atual.
Lições da experiência socialista
O PCdoB avalia que o êxito da nova luta pelo socialismo está na correspondência do desenvolvimento e atualização do pensamento avançado, revolucionário, que responda às exigências da nossa época e aos anseios fundamentais dos trabalhadores e das massas populares. É possível forjar um acervo inicial que permita construir uma teoria revolucionária para o nosso tempo.
Teoria baseada nos ensinamentos mais positivos retirados: 1) Das experiências socialistas do século passado, 2) Da experiência atual dos países socialistas que não sucumbiram à contra-revolução, mas, mantiveram suas instituições surgidas da revolução e reafirmaram a perspectiva socialista e, também, 3) Das experiências recentes do processo inicial de luta progressista e revolucionária na América Latina, e em outras frentes de luta avançadas.
Os processos políticos de sentido progressista e revolucionário são objetivamente contraditórios, não têm cursos predefinidos, pois os caminhos da luta ascendente de sentido democrático e popular dependerão das condições do período histórico e das peculiaridades de cada país e estarão sujeitos a etapas e transições que permitam alcançar o objetivo maior do socialismo.
Da rica experiência da construção socialista do século passado o PCdoB sacou a justa idéia de que não há modelo único de caminho socialista e de que a passagem do capitalismo ao socialismo requer um período de transição, que se inicia com a conquista do poder político nacional pelas classes sociais que formam a maioria da nação, interessadas nesse trânsito.
Esta transição, não compreende a socialização total, mas, objetivamente, pode se desenrolar em etapas e com leis próprias e poderá ser mais ou menos longa conforme o nível de desenvolvimento econômico e social e as particularidades históricas de cada país, além das condições do processo de transformação revolucionária no âmbito mundial.
Experiência do PCdoB no Brasil
Na nossa experiência no Brasil, a existência de um partido comunista forte, revolucionário, renovado, internacionalista -- que saiba congregar as forças políticas avançadas, que goze de grande influência e prestígio entre os trabalhadores e as camadas populares -- é fator decisivo e essencial para fazer prosperar a tática do partido.
Nas condições do atual período histórico, de prevalência ainda no plano geral de defensiva estratégica do movimento revolucionário, ocupa um lugar fundamental, no nosso pensamento estratégico e tático, a intervenção no curso político, dirigida pelo norte da acumulação de forças no sentido revolucionário.
Esse processo de acumulação de forças se constitui --nas condições particulares da nossa experiência no Brasil -- na interrelação de tarefas fundamentais e imprescindíveis: 1) Articular a iniciativa de construção de amplas frentes políticas, atuando na esfera institucional, de governos e de parlamentos; 2) Com a intervenção orientada em dar papel essencial à mobilização e organização das massas trabalhadoras e do povo, fonte principal de crescimento do partido e força motriz básica das mudanças; 3) E, ao mesmo tempo, atuação permanente no plano da luta de idéias, com a finalidade de fundamentar e reavivar a perspectiva revolucionária, a alternativa socialista.
Em conclusão, neste momento, o PCdoB eleva mais ainda sua convicção de que é possível a construção de uma sociedade nova, de elevado avanço civilizacional, livre da opressão e exploração capitalista, o socialismo! Valoriza os diferentes esforços de construção de unidade, fóruns e tentativas de forças da esquerda em todos os Continentes na busca de alternativas ao neoliberalismo e às políticas conservadoras.
Atualização do Programa de Transição ao Socialismo
A discussão da questão da alternativa, a construção de nova alternativa que derrote o salvacionismo conservador, defensor de uma ''reforma'' neoliberal, ou supere também as agendas de soluções intermediárias, que defendem à volta de um sistema que regule (domesticque) o capitalismo é o desafio maior para os comunistas e defensores do caminho transformador, revolucionário. Porque o capitalismo, nas condições históricas atuais, está mais para a barbárie do que para o avanço civilizacional.
Este desafio maior consiste na elaboração e desenvolvimento de um Programa de transição ao socialismo, voltado para as condições históricas contemporâneas, tendo como foco resolver os grandes impasses estruturais atuais que se resumem em: definir, defender e concretizar um Programa (Agenda) civilizatório, de avanço civilizacional, que barre o retrocesso social, exerça a afirmação das soberanias nacionais e a superação da dependência econômica e tecnológica, defenda o espaço nacional, construa um desenvolvimento sustentável, lute por uma nova ordem mundial, com ênfase na solidariedade entre os povos, na igualdade entre as nações e na preservação da paz mundial.
Está no centro desse Programa (civilizatório) de transição ao socialismo a defesa e conquista de um novo tipo de Estado, essencialmente democrático, expressão de um pacto político de forças avançadas, sustentado numa base social popular, de unidade com as camadas médias, em composição com os setores capitalistas que contribuam para o desenvolvimento das atividades produtivas. Estado distinto do Estado de tipo liberal, ou o velho Estado da sociedade industrial do século 20, que se transformou em Estado do capitalismo monopolista e hoje é expressão da casta dominante beneficiária da financeirização.
Em termos gerais podemos assinalar (conforme anseios avançados de nossa época) que esse Estado de novo tipo poderia destinar em torno de 2/3 do excedente econômico para um fundo público, teria uma jornada de trabalho que progressivamente poderia cair para quatro horas diárias, durante cinco dias por semana, ingresso no mercado de trabalho aos 25 anos, educação ao longo da vida, 12 horas semanais no local de trabalho, ampliação do tempo destinado à cultura e ao lazer, universalidade da proteção social (investimento em saúde, educação, pleno emprego, gasto com a previdência e assistência social).
A base material necessária à sustentação de novo patamar civilizatório global já existe. É crescente o ganho de produtividade (física e imaterial) originada do capitalismo desde o começo do século 20.
Por isso, o avanço civilizacional não é possível nos marcos das relações de produção, de propriedade, de distribuição, gerados pelo capitalismo, pela sua divisão internacional do trabalho, pela sua atual ordem mundial imperante. A definição e aplicação de um Programa que abra caminho para o renascimento civilizacional contemporâneo, que sintetize o progresso civilizatório e seja convergente com uma nova ordem mundial solidária, equitativa e de paz deve se consubstanciar num Programa moderno de transição ao socialismo.''
sábado, 31 de janeiro de 2009
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2009: REUNIÃO DE PRESIDENTES "DECRETA O FIM DO CAPITALISMO"

Falou-se em “sepultar o capitalismo para que o capitalismo não sepulte o mundo”, e na necessidade de se construir o socialismo do século 21. Os países ricos foram culpados pela crise e seus representantes reunidos em Davos foram chamados de “moribundos”. No FSM, neste dia 29, os presidentes deram o recado: ''Um outro mundo é possível, necessário e está nascendo hoje na América Latina”.
O sentido do encontro
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa iniciou a atividade registrando que aquele era um momento histórico. “Todos os olhos de quem acredita que um outro mundo é possível estão voltados para cá, porque a presença desses presidentes é a demonstração de que construir esse novo mundo é possível. Essa é a vitória da democracia, esse momento enche o nosso coração de esperança porque nós estamos escrevendo um novo caminho”. E, de fato, a conferência, que reuniu mais de 10 mil pessoas em Belém, entra para a história como o evento mais importante de todas as edições do Fórum Social Mundial.
O FSM, que nasceu em 2001 para ser um contraponto à reunião de Davos, na Suiça, ao reunir cinco presidentes de países importantes da América Latina, nesta 9ª edição, demarca um importante campo político com o modelo econômico mundial vigente. Mostra que uma alternativa não apenas é viável, mas já está sendo construída através das experiências latino-americanas.
O mediador do encontro dos presidentes, Cândido Grzybowski, diretor-geral do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), que ao lado do Instituto Paulo Freire e da CUT co-promoveu a atividade, iniciou afirmando que “queremos abrir pontos de diálogo com governantes, inclusive com Barack Obama, se for o caso; mas com aqueles que neste momento estão em Davos nós não temos nada para trocar, e sim cobrar porque eles são os artífices da crise''. E apontou o objetivo do encontro dos presidentes: “É um esforço mútuo de indagar questões e mapear convergência e divergências”.
Sepultura para o capitalismo
Evo Morales foi o primeiro presidente a se dirigir ao público, onde havia índios de várias regiões da Pan-Amazônia, participantes de mais de cem países do mundo, que representavam movimentos sociais e organizações não-governamentais. Ele afirmou que “esse é o início de uma série de encontros dos presidentes antineoliberais contra o capitalismo”.
Morales falou do referendo na Bolívia, que aprovou a nova Constituição por 61,5% dos votos válidos. “No último domingo, abrimos uma nova página em nosso país para que nunca mais privatizemos nossos recursos naturais, e para reconhecermos os direitos das populações originárias numa demonstração da consciência do povo boliviano”.
Ao referir-se à crise, que é parte da crise do capitalismo, o presidente da Bolívia foi taxativo: “Se nós – o povo do mundo – não conseguirmos sepultar o capitalismo, o capitalismo vai sepultar o mundo”.
Ele propôs a criação de quatro campanhas para combater a crise, fortalecer a economia e a soberania das nações pobres. Uma campanha mundial pela paz, que julgue os responsáveis por guerras nos tribunais de justiça e que acabe com o direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, “porque não é possível que um país tenha mais direito que 160 nações”. A luta por uma nova ordem econômica e social de justiça e desenvolvimento, que reforme os organismos internacionais e que paute o mundo por indicadores de distribuição de riqueza seria a segunda campanha.
Ele defendeu ainda uma campanha para salvar o planeta, alterando os padrões de consumo da sociedade; e outra campanha que valorize a humanidade através da diversidade e respeito cultural. “Só uma humanidade que valoriza a si mesma pode sepultar o capitalismo”.
Os moribundos de Davos
O presidente do Equador, Rafael Correa, foi duro ao se referir ao Fórum Econômico Mundial. “Os representantes do capitalismo estão reunidos neste momento em Davos para traçar as linhas de ação do mundo frente à crise. Eles que são os responsáveis por essa crise querem nos dar lições”, ironizou e em seguida, não poupou palavras: “Lá estão reunidos os moribundos”.
Correa, que é economista, caracterizou esta crise como sendo uma crise de todo o sistema capitalista, “uma forma imoral de acumulação de riquezas que levou os países à miséria”. Ele denunciou o fato de os defensores da primazia do capital financeiro sobre o capital produtivo recorrerem agora ao Estado para salvar suas economias.
“No Equador temos resistido ao neoliberalismo, estamos pondo fim à noite neoliberal. É hora de algo novo e felizmente esse novo está surgindo aqui na América Latina”, disse Correa ao iniciar uma exposição sobre o nascimento do socialismo do século 21, que exige uma ação conjunta e coletiva e atribui um papel importante ao Estado.
“Não somos estatistas, mas o que é necessário é uma ação coletiva para superar as dificuldades do povo e o Estado pode ser o estruturador dessas ações”, e informou que “no Equador temos um Plano Nacional de Desenvolvimento que articula todas as políticas públicas do Estado para impulsionar o desenvolvimento da economia e a diminuição das misérias e desigualdades sociais”.
Socialismo do século 21
Rafael Correa conclamou a todos para contestarem a idéia de que o socialismo é um regime incompetente. “Socialismo é muito mais justiça, mas é muito mais eficiência também”. Mas alertou: “Temos que ter os olhos bem abertos e os pés na terra ao aplicar o socialismo para não cometermos erros que outras experiências cometeram”.
Correa avaliou como um desses erros o fato de que o socialismo tradicional apresentou apenas uma nova forma de produção e desenvolvimento mais acelerados e com mais justiça social, mas baseada no mesmo conceito de consumo do capitalismo, o consumo de massa. “O socialismo do século 21 vai propor um novo modelo de desenvolvimento, estamos com a oportunidade de criar algo novo e melhor”.
O presidente equatoriano apontou como principal caminho para enfrentar a crise acelerar a integração da América Latina. “Como nunca antes temos que estar unidos, buscar intercâmbio para criar políticas conjuntas de infra-estrutura energética, de saúde, de educação. Temos que acelerar o Banco do Sul, que pode servir para nos proteger um pouco da crise . Só com a organização dos Estados Latino-americanos vamos fazer frente ao capitalismo.
Concluiu dizendo que é preciso ter cuidado com a crise, porque ao mesmo tempo que ela pode gerar oportunidades, “pode também ser usada para desestabilizar os nosso governos”. Ao se despedir do público de Belém, usou a saudação imortalizada por Che “Até a vitória, sempre!''.
A peste econômica
Usando uma retórica mais poética e cheia de simbolismos, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, saudou o Fórum dizendo que via com muita alegria “esse espírito humanista e a solidariedade inteligente para enfrentar os nossos desafios com dureza e ternura. Estamos ensinando para todos que existe uma alternativa, que sim é possível transformar o planeta. Os que perguntam para que serve o FSM não aprenderam a olhar ao seu redor – há mudanças na América Latina e a esperança de que haja mudanças no norte também”, disse, referindo-se indiretamente à eleição de Barack Obama.
Lugo nomeou a crise econômica como resultado da ação inconseqüente dos países ricos, o neoliberalismo, “a peste econômica que atingiu a América latina nos anos 90”. Para ele, uma das formas de enfrentar esse momento é a ação conjunta e soberana das nações latino-americanas. “Nós temos os Andes, a Amazônia, temos a maior fonte de energia renovável do mundo, um banco diversificado de plantas medicinais, então, o que nos falta? Falta muito e pouco. Falta usar esses recursos para fortalecer nossas economias”, avaliou.
Denunciou os crimes cometidos no Oriente Médio. “Como é possível, nesse momento em que a humanidade domina a tecnologia, haverespaço para as mortes mais cruéis?”, indagou, referindo-se aos ataques de Israel à faixa de Gaza. “Não podemos ser apenas observadores diante a ameaça planetária de guerra”.
“As mudanças já se vêem, já se respiram nos ares do Fórum Social Mundial”, afirmou e, citando o cantor brasileiro Geraldo Vandré, conclamou a todos para que continuemos “caminhando e cantanto e seguindo a canção – aprendendo e ensinando uma nova lição”.
Vamos apurar nossa unidade
Num dos discursos mais rápidos que já proferiu, Hugo Chávez usou cerca de 15 minutos para expressar sua crença de que “a cada ano que passa o evento político mais importante do mundo é o Fórum Social Mundial”. Para Chávez a criação do FSM foi muito oportuna porque aconteceu num momento de efervescência política no continente.
“A América Latina foi o laboratório do neoliberalismo que, como disse Eduardo Galeano, arrasou nosso continente. Assim como a América Latina recebeu a maior dose de veneno neoliberal, foi também onde brotaram com mais força as mudanças que vão transformar o nosso planeta. Outro mundo é possível, necessário e está nascendo hoje na América Latina”, afirmou com a contundência que lhe é peculiar o presidente da Venezuela.
Chávez disse que 2009 vai ser duro para o mundo, “segundo a OIT – Organização Internacional do Trabalho, se perderão 50 milhões de postos de trabalho e a fome deverá crescer e chegar à casa de 1 bilhão de pessoas. Não podemos esperar nada dos outros, mas de nós mesmo”.
O líder bolivariano fez um apelo pelo aprofundamento da unidade. “Diante dessa crise temos que apurar nossa unidade, com o Banco do Sul, com o fortalecimento das nossas empresas energéticas, com estratégias de articulação de um projeto latino-americano. Nesse projeto unitário está o coração do novo continente”, avaliou.
Para Chávez, ''o socialismo é o único caminho, porém ele não pode ser cópia, tem que ser criação. Nós somos presidentes graças ao despertar dos nossos povos, e por isso vocês têm que continuar lutando”.
Mudanças em curso
Lula optou pela informalidade e deixou de lado o discurso que iria ler. Começou fazendo um pedido: “Guardem esta fotografia porque hoje a gente pode até reclamar dos presidentes que nós temos, mas até bem pouco tempo os que ousavam discordar de seus presidentes eram perseguidos e mortos, muitos jovens pegaram em armas para lutar pela democracia e hoje nós estamos aqui fazendo o que eles sonharam. O mundo mudou tanto que era impossível dizer que um bispo da Igreja Católica seria presidente do Paraguai, que um jovem economista ia chegar à presidência do Equador, impossível pensar que um índio com cara de índio e jeito de índio chegasse à presidência da Bolívia e, aqui no Brasil, era impossível pensar que um torneiro-mecânico seria presidente. Mas as coisas não param por aqui, quem podia pensar, que teórico poderia prever, que o país do apartheid que matou Martin Luther King, ia eleger um negro para presidente dos Estados Unidos?”, disse Lula.
Ao falar da crise, ele recordou como até bem pouco tempo os ricos e “yuppies” norte-americanos ficavam ditando regras para os países mais pobres. “Parecia que eles eram infalíveis e nós os incompetentes”, ironizou; e lembrou que agora eles estão calados porque a crise eclodiu justamente lá.
A crise do “deus mercado”
“A crise nasceu porque eles venderam a idéia de que o Estado não servia para nada e o “deus mercado”, que tudo pode e é soberano, podia tudo. Só que esse deus mercado quebrou por irresponsabilidade deles. Agora eu quero ver o FMI ir dizer para o Obama como é que eles vão consertar a crise que eles criaram”, falou, sob fortes aplausos.
Lula listou as medidas que os organismos internacionais impunham aos países em desenvolvimento: “Eles nos obrigaram a fazer ajuste fiscal, mandar trabalhadores embora, reduzir o Estado e os serviços sociais; e agora, quando eles entraram em crise, qual foi o deus a quem eles pediram socorro? Ao Estado que já injetou milhões de dólares para salvar empresas mundo afora”.
O presidente alertou que a crise é grave e que ainda não se conhece o fundo dela, mas foi contundente ao dizer que os países em desenvolvimento estão em melhores condições de enfrentá-la do que os ricos. Disse que já passou da hora de se discutir discutir o controle do mercado financeiro e foi taxativo: “Aqui o povo pobre não será o pagador dessa crise”.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
CHE, O ARGENTINO - DOWNLOAD
Áudio: Inglês / Espanhol
Tamanho: 1.4 GB
Qualidade: DVDRip
Legendas: No Anexo
http://olyrunfilmes.blogspot.com/2009/01/che-o-argentino-2008.html
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FRANCESES EM GREVE GERAL

A França foi paralisada nesta quinta-feira (29) por um dia de greve geral contra a tentativa de fazer com que os trabalhadores paguem a conta da crise capitalista. As manifestações de rua convocadas pelas centrais sindicais mobilizaram 100 mil pessoas em Paris (para a polícia, 65 mil) e 1,5 milhão em 200 outras cidades. O presidente de direita, Nicolas Sarkozy, foi o alvo predileto dos manifestantes.
O presidente causou particular desagrado com uma recente provocação: "Quando há uma greve na França, ninguém percebe". Muitos cartazes e tiradas dos manifestantes se referiam à frase infeliz.
A greve desta quinta-feira foi considerada como o primeiro grande sucesso do movimento social face ao governo Sarkozy, eleito em 2007 com uma plataforma que não escondeu seu direitismo. A convocação partiu de um comando unitário das oito centrais francesas (CGT, CFDT, FO, CFTC, CFE-CGC, Unsa, Solidaires, FSU).
Alguns observadores comparam o sucesso da greve geral com o da de 2006 contra o ''contrato de primeiro emprego'' (com direitos rebaixados). Outros, como François Chérèque, da central CFDT, dizem que foi ''a maior jornada de ação dos assalariados em duas décadas''.
Houve forte adesão no setor de transportes, com destaque para os ferroviários da poderosa estatal SNCF. No setor do ensino a participação foi estimada em 60% (sindicatos) ou 34% (ministério). Nos correios, em 40% ou 25%.
''A mensagem está clara: é necessário mais poder de compra popular, portanto deve-se aumentar os salários e é preciso emprego'', comentou durante a jornada a dirigente do Partido Comunista Francês, Marie-George Buffet. ''Agora basta, é preciso mudar essa política'', disse o primeiro secretário do Partido Socialista, Martine Aubry, também presente na passeata de Paris.
PRESIDENTES DE ESQUERDA DA AMÉRICA DO SUL NO FSM

Os presidentes do Brasil, Venezuela, Paraguai, Equador e Bolívia começaram a chegar em Belém para participarem conjuntamente da mais importante atividade do Fórum Social Mundial, nesta quinta-feira (29). A presença de Lula, Hugo Chávez, Fernando Lugo, Rafael Correa e Evo Morales, amplifica a mensagem de Outro Mundo Possível porque reforça o diálogo indispensável entre governos progressistas e movimentos sociais. É, também, um contraponto ao Fórum Econômico Mundial que se iniciou em Davos, uma demonstração explicita da opção política desses países por um caminho alternativo.
Quando o Fórum Social Mundial nasceu, em 2001 – fruto da iniciativa de entidades do movimento social, partidos políticos de esquerda, organizações não governamentais, intelectuais e artistas – o mundo vivia sob a hegemonia política e ideológica do neoliberalismo. O grande capital ditava as regras internacionais no Fórum Econômico de Davos; a agenda da Organização Mundial do Comércio era de saque e subordinação das economias nacionais, em particular sobre os países do Sul; a América Latina vivia sob a ameaça da criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), submetida à chantagem e ingerência dos organismos internacionais.
À frente dos Estados Unidos estava George W. Bush e na América Latina os seguidores da cartilha neoliberal eram gente da laia de Fernando Henrique Cardoso (Brasil), Carlos Menem (Argentina), Alberto Fujimori (Peru), Álvaro Uribe (Colômbia), Jorge Quiroga (Bolívia).
O Fórum surgiu como resposta e denúncia dessa situação e uma de suas marcas era dar voz aos protestos e à luta contra o neoliberalismo no mesmo momento em que os chefes de Estados estavam fechados na Suiça, sob forte proteção da polícia, definindo maneiras de explorar um pouco mais os trabalhadores e os povos.
Sob o signo de Outro Mundo é Possível, o FSM foi ganhando corpo e interferindo positivamente na agenda dos movimentos sociais, em particular na América Latina. De lá para cá, o cenário se alterou substancialmente com a eleição de governantes compromissados com uma agenda de mudanças. Aqueles prepostos dos Estados Unidos foram um a um sendo substituídos Hugo Chávez já governava na Venezuela desde 1999; logo se seguiram Lula no Brasil, Fernando Lugo no Paraguai, Michelle Bachelet no Chile, na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Néstor e Cristina Kirchner na Argentina, Rafael Correa no Equador, entre outros.
A agenda da Alca foi sepultada e substituída pela Alba – Alternativa Bolivariana das Américas, o Mercosul dá passos para se consolidar como bloco econômico, a cooperação tem sido maior entre os países latino-americanos e a criação do Banco do Sul pode ser um importante suporte às economias nacionais. Sem dúvida, o Fórum Social Mundial foi co-responsável por essas mudanças.
Se antes a agenda do Fórum era de confronto com os governos, agora ela deve ser de diálogo e pressão social para impulsionar as mudanças, sem perder a independência e a visão crítica. Nesse novo cenário, o momento mais importante do Fórum Social Mundial de Belém será a reunião entre os presidentes do Brasil, Venezuela, Paraguai, Equador e Bolívia.
A presença desses chefes de Estado no Fórum amplifica a mensagem de Outro Mundo Possível porque mostra a disposição, de ambas as partes, em reforçar esse diálogo indispensável entre governos e movimentos sociais para garantir que transformações sejam implementadas e, também, porque evidenciam o compromisso de mudanças nesses países.
O contraponto com Davos ganha mais força neste ano. A presença dos cinco presidentes em Belém, para discutir junto com os movimentos sociais a crise econômica mundial, ao mesmo tempo em que se inicia o Fórum Econômico Mundial, é uma demonstração explicita da opção política desses países. Mostra que há na América Latina a busca por um caminho alternativo.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
PASSEATA COM 60 MIL ABRE FSM 2009
Cerca de 60 mil pessoas (de acordo com a Polícia Militar) participaram da passeata de abertura do Fórum Social Mundial, em Belém.
Durante a passeata (que durou 4h) diversos integrantes de movimentos sociais de todo o Brasil e de diversas partes do mundo, realizaram vários protestos, onde cada ideologia ganhou um corpo de ala no percurso, tendo maiores forças as manifestações de defesa da Amazônia e do meio-ambiente e de combate à crise econômica mundial.
Entre as pessoas mais conhecidas presentes, destacou-se a ex-senadora Heloísa Helena.
A passeata terminou na Praça do Operário com apresentações culturais de diversos grupos indígenas.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2009

Hoje à tarde, na cidade de Belém, o Fórum Social Mundial terá seu início com uma caminhada na cidade. Para aqueles que quiserem saber mais informações (como programação e tal) é só visitar: www.forumsocialmundial.org.br/
JUVENTUDES COMUNISTAS DO CHILE DECLARAM APOIO AOS TRABALHOS VOLUNTÁRIOS NA BOLÍVIA
As Juventudes Comunistas do Chile solicitam apoio na “Campanha de recolhimento de alimentos não pereciveis e/ou quantias em dinheiro” para os Trabalhos Voluntários Uyuni 2009.
Os jovens comunistas consideram de vital importancia apoiar, de forma concreta, o processo democratizador da Bolivia encabeçado por Evo Morales. Para este fim realizará trabalhos na localidade de Uyuni, departamento de Potosí, entre os dias 4 e 14 de fevereiro, em três áreas: Saúde, Desenvlvimento Comunitario e Infância/Educação.
O internacionalismo, entendido como a solidariedade com os povos, tem estado presente ao longo da história da juventude chilena e, particularmente, nas juventudes comunistas. A sua contribuição será parte nesta historia de compromisso latinoamericano. As contribuições devem ser enviadas para a Avenida Vicuña Mackenna 31 (Metro Baquedano) ou à rua Estados Unidos 246 (Radio Nuevo Mundo).
Oscar Aroca, Secretário Geral
Diego Riquelme, encarregado das Relações Internacionais
Juventudes Comunistas do Chile
OBAMA TOMA MEDIDAS EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira uma série de medidas, desta vez na área ambiental, que revertem decisões tomadas pelo seu antecessor, George W. Bush.
Entre as medidas estão a de permitir que os Estados americanos possam determinar o nível de emissões de poluentes considerados aceitáveis em novos automóveis "construídos nos Estados Unidos", a construção de frotas de veículos que economizem combustível e investimentos em "economia energética" para criar empregos.
Ao assinar novas leis de proteção ambiental, Obama afirmou que as medidas são necessárias para conter a ameaça do aquecimento global que pode causar uma "catástrofe irreversível" e até atos de violência.
Segundo o presidente americano, as novas diretrizes são uma alternativa a "uma confusa colcha de retalhos que fere o ambiente e a indústria automobilística".
De acordo com o presidente, os Estados Unidos não podem ser mantidos "reféns de recursos que estão ficando escassos, de regimes hostis e de um planeta que está esquentando".
"Nós não deixaremos de agir porque agir é difícil. Agora é a hora de tomar duras decisões", disse Obama. "Agora é a hora de ir ao encontro dos desafios da encruzilhada da história, ao escolhermos um futuro mais seguro para o nosso país e mais próspero e sustentável para o nosso planeta."
Auto-determinação
O presidente americano determinou que a Califórnia e outros 13 Estados americanos poderão definir seus próprios padrões de níveis de emissões de gases poluentes - prática à qual Bush se opunha.
A Califórnia havia proposto restrições que obrigariam a indústria automobilística a cortar a emissão de gases causadores do efeito estufa em novos veículos em 30% até 2006. Mas o presidente Bush pediu em 2007 que a Agência de Proteção Ambiental da Califórnia negasse o pedido.
A decisão de Bush, na ocasião, foi elogiada por representantes da indústria automotiva, mas recebeu críticas de grupos ambientais, que diziam que o governo havia cedido à pressão do lobby automobilístico.
De acordo com Obama, o governo federal vai trabalhar conjuntamente com os Estados para reduzir a emissão de poluentes e acrescentou que sua administração "não vai negar fatos, mas sim ser guiada por eles".
